Como já falamos antes, a aterosclerose é uma afecção degenerativa que acomete artérias de grande e médio calibre, caracterizada por lesões com aspecto de placas (os ateromas). Essas placas se formam pelo acúmulo de gorduras nas paredes dos vasos, o que pode levar, em última instância, ao “entupimento” (trombose) ou à dilatação excessiva (aneurismas).
Entre os principais fatores de risco para o desenvolvimento da aterosclerose estão: hereditariedade, dislipidemia (excesso de gorduras no sangue: colesterol e triglicérides), diabetes mellitus, tabagismo, hipertensão arterial, obesidade, sedentarismo, estresse e, claro, a idade.
Sobre esse último ponto, como bem alertou a Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SP) em postagem recente, as doenças vasculares tendem a evoluir de forma silenciosa. Na terceira idade, seus impactos são ainda mais marcantes, afetando a mobilidade, funções cognitivas e elevando significativamente os riscos cardiovasculares.
Entre as mudanças fisiológicas associadas ao envelhecimento, destacam-se a perda de elasticidade arterial e o aumento da rigidez dos vasos, condições que favorecem o surgimento e a progressão da aterosclerose.
Com a chegada das temperaturas mais frias, somamos um novo fator de risco. Para se ter uma ideia, em resposta ao frio, indivíduos com artérias coronárias saudáveis apresentam aumento de até 65% no fluxo sanguíneo cardíaco, que é uma resposta fisiológica normal. Já em pessoas com aterosclerose avançada, o mesmo estímulo provoca uma redução média de 39% nesse fluxo, devido à incapacidade dos vasos doentes de se dilatarem adequadamente.
Além disso, o frio torna o sangue mais espesso, favorecendo tanto a ruptura de vasos quanto o rompimento das placas de ateroma — o que pode desencadear quadros graves como AVC ou infarto.
O estilo de vida também entra em cena como agravante. No inverno, é comum reduzirmos as atividades físicas e optarmos por uma alimentação mais calórica, o que pode acelerar o processo aterosclerótico.
Entre as medidas preventivas para evitar complicações em idosos com aterosclerose, destacamos:
– Manter-se aquecido, especialmente nas extremidades do corpo;
– Controlar rigorosamente a pressão arterial durante o outono e inverno;
– Realizar acompanhamento médico regular, com foco na saúde cardiovascular;
– Praticar atividade física (sempre respeitando os limites individuais e em ambientes adequados);
– Seguir uma alimentação equilibrada, com atenção especial ao colesterol.
Por fim, imaginamos que o tabagismo já esteja fora de cogitação, mas é sempre bom relembrar.

