Todos os anos, as doenças cardiovasculares matam quase 18 milhões de pessoas no mundo. Na maioria dos casos, a origem está em um mesmo processo: a aterosclerose.
O que torna essa doença particularmente intrigante é o seu ritmo. Quando alguém sofre um infarto ou um AVC, é bastante provável que aquele processo tenha começado há vinte ou trinta anos, muito antes de qualquer sintoma.
As artérias são estruturas vivas e dinâmicas que respondem ao ambiente metabólico e sofrem pequenas agressões ao longo da vida. Em determinadas condições (como colesterol elevado, hipertensão, tabagismo ou diabetes), essas agressões podem desencadear um processo inflamatório crônico na parede dos vasos. Com o passar do tempo, partículas de lipoproteínas, especialmente o colesterol LDL, passam a se acumular nessa região, formando um tecido fibroso que, lentamente, evolui para placas ateroscleróticas.
Ao longo de bons anos, a circulação continua funcionando e a vida segue normalmente. Em alguns casos, porém, a placa aumenta o suficiente para reduzir o fluxo sanguíneo ou se torna instável e se rompe, levando à formação de um coágulo. É nesse momento que surgem eventos como o infarto ou acidentes vasculares.
Embora o envelhecimento seja um fator importante, a velocidade com que a aterosclerose se desenvolve depende muito de cada metabolismo. Colesterol elevado, pressão arterial alta, diabetes, tabagismo, sedentarismo, excesso de peso e histórico familiar de doença cardiovascular precoce são alguns dos fatores que podem acelerar esse processo.
A boa notícia é que a aterosclerose não é apenas uma consequência inevitável da idade. Boa parte do risco pode ser reduzida com medidas relativamente simples, como manter um estilo de vida saudável, controlando parâmetros como pressão arterial, colesterol e glicemia.
Justamente por ser uma doença silenciosa, o acompanhamento médico periódico tem um papel importante na prevenção. Avaliações de rotina ajudam a identificar precocemente alterações que podem passar despercebidas. É interessante começar essas avaliações entre os 20 e 30 anos, muitas vezes apenas para estabelecer padrões iniciais de saúde. A partir dos 40 anos, os check-ups tendem a se tornar mais regulares, especialmente quando existem fatores de risco.
Pela sua natureza, a aterosclerose oferece tempo para agir, evitando susto quando pode ser tarde demais.

