O mês de agosto é marcado, na área da saúde vascular, pela Campanha Agosto Azul e Vermelho, criada pela Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular. As cores não são por acaso: o azul remete ao sangue venoso, de menor concentração de oxigênio, e o vermelho, ao sangue arterial, rico em oxigênio. É justamente sobre as artérias que o convidamos a parar e pensar. Isso porque ela está ligada a uma das doenças vasculares que mais afetam as pessoas: a aterosclerose.
A palavra tem origem grega: athera significa ‘papa’ (no sentido de massa empapada), e sclerosis, endurecimento. A etimologia descreve bem o que ocorre no organismo. Ao longo dos anos, gordura, colesterol e outras substâncias se depositam na parede das artérias, formando placas que, aos poucos, as endurecem e estreitam, dificultando a passagem do sangue.
Trata-se de uma doença inflamatória crônica, e um dos aspectos mais desafiadores é justamente sua discrição: pode se desenvolver silenciosamente por décadas, sem sintoma algum, até se manifestar de forma abrupta — um infarto, um AVC ou uma obstrução arterial nas pernas, por exemplo. Por isso costuma ser chamada de “doença silenciosa”.
No Brasil, o impacto é expressivo: segundo o Ministério da Saúde, cerca de 300 mil mortes por ano estão relacionadas a complicações cardiovasculares da aterosclerose. Ainda assim, há um dado relevante — estima-se que até 75% das doenças cardiovasculares sejam evitáveis, o que reforça o papel da prevenção.
Hipertensão, colesterol elevado, diabetes, tabagismo, obesidade, sedentarismo e histórico familiar estão entre os principais fatores de risco. É sobre eles que a prevenção atua: atividade física regular, alimentação equilibrada, controle da pressão e da glicemia, abandono do cigarro, check-up e acompanhamento médico periódico são medidas que, somadas, reduzem significativamente o risco de eventos graves.

