É uma realidade difícil, mas infelizmente uma das mais graves emergências médicas trata-se de pacientes com rompimento do aneurisma da aorta. Em pelo menos 50% desses casos, eles não resistem até chegar ao hospital e, entre os que conseguem ser atendidos, apenas entre 30% a 60% são salvos.
Por outro lado, a boa notícia é que o número dos que sobrevivem tem aumentado gradativamente devido à cirurgia endovascular, que envolve o implante de endopróteses.
As endopróteses vasculares são um dos grandes avanços da nossa especialidade nas últimas décadas. Na sua essência, são stents recobertos por tecidos já conhecidos e comprovados desde a cirurgia convencional (a céu aberto). Elas envolvem o conhecimento e métodos cirúrgicos avançados com a tecnologia de ponta. Uma endoprótese bem instalada garante uma continuidade de vida com qualidade e segurança.
Entre os dois principais tipos, estão as endopróteses de dacron (um tecido de poliéster), usadas nos vasos mais calibrosos, como a aorta. Esta prótese parece, de fato, um tubo de tecido costurado sob medida. E há também as endopróteses de PTFE (o mesmo tipo de material similar ao teflon), ideais em vasos menores e mais periféricos.
Esses aparatos não se destacam apenas pelo material, mas também pela forma. As endopróteses ramificadas ou fenestradas, por exemplo, têm ramos ou pequenas “janelas” que preservam artérias vitais durante o implante. E a tecnologia segue avançando: já existem versões com polímeros seladores, que reduzem o risco de vazamento, e até stents absorvíveis ou com liberação de medicamento.
Claro que não é preciso acontecer eventos graves como o rompimento de um aneurisma para as próteses entrarem em cena. Elas fazem parte especialmente das medidas de prevenção. Podem ser aplicadas quando os riscos são identificados já nos exames de rotina.
E tem mais: hoje, boa parte desses procedimentos nem precisa de corte. Na cirurgia endovascular, minimamente invasiva, a prótese entra dobrada dentro de um cateter, é guiada pelo interior da própria artéria até o local correto e se abre lá dentro, como um guarda-chuva que se expande no lugar exato. O paciente sai do procedimento no dia seguinte, às vezes até no mesmo dia.

