PÉ DIABÉTICO II

PÉ DIABÉTICO II

Uma das graves complicações do Diabetes Mellitus (DM) é o chamado Pé Diabético, condição em que o paciente diabético contrai uma infecção no pé. Quando isso ocorre, sem tratamento adequado fatalmente o tecido infeccionado caminhará com rapidez para um processo de necrose (morte tecidual) tornando-se irreversível. São duas situações extremamente delicadas que esta doença traz: a maior facilidade em ter infecção e a dificuldade do organismo para combater e debelar uma infecção já instalada.

O DM é uma doença crônica caracterizada por aumento do índice de glicose no sangue (hiperglicemia) devido a uma insuficiência do pâncreas em produzir insulina. A hiperglicemia a médio e longo prazo provoca danos na microcirculação (“Microangiopatia”) o que, por conseguinte, prejudica a oxigenação da células interferindo nos seus mecanismos naturais de defesa contra elementos estranhos, principalmente as  bactérias, agentes das infecções. Da mesma forma, compromete os nervos das pernas provocando as chamadas polineuropatias caracterizadas por alterações da sensibilidade, formigamentos, queimações intensas nos pés e, em casos mais graves, completa anestesia. Estas duas situações em conjunto trazem uma preocupação enorme no que se refere aos cuidados que os diabéticos necessitam ter tanto com o controle rigoroso da sua doença como também com os seus pés.

Por principio básico, é óbvio que, de primeira instância, a responsabilidade do paciente começa com o controle e acompanhamento rigorosos da sua doença, sob orientação do especialista, que é o endocrinologista, para manter a sua glicemia em níveis adequados com dietas, fármacos, aplicação de insulina realização de esportes etc… Paralelamente, vários outros cuidados são necessários e, dentre eles, os mais importantes serão os cuidados com os pés. Costumamos salientar para os nossos pacientes o quão valiosos são os nossos pés e que por isso eles têm que desenvolver um grande amor e carinho pelos próprios pés. E como diz o velho ditado: “quem ama cuida”. Para isso, todos os dias o próprio paciente tem que examinar rigorosamente, detalhadamente os seus pés, inclusive entre os dedos, mantendo higiene adequada. Ao menor tipo de lesão identificada é necessária uma consulta médica com especialista vascular ou angiologista para tratamento e acompanhamento. Isso porque algumas situações demandam a necessidade de limpezas cirurgicas chamadas de debridamentos, pois somente antibióticos não resolverão.

Um dos maiores inimigos dos pés dos diabéticos são as micoses entre os dedos popularmente chamadas de “frieiras”. Esta é a porta de entrada mais comum das bactérias. Além da higiene rigorosa, o uso de antimicóticos é obrigatório diariamente de forma indelével. Outro grande problema é o “mal perfurante plantar”. Devido à ausência de sensibilidade na planta dos pés, ele pode sofrer um traumatismo perfurante (prego de sapato, por exemplo) e, portanto, o paciente não sente e não sabe que está com uma infecção, causando abscessos que podem trazer danos irreversíveis, cirurgias mutiladoras de partes ou dedos dos pés. Em situações gravíssimas o paciente chega ao médico em condições em que o pé já está completamente tomado pela infecção (gangrena diabética) não havendo nada mais a fazer do que uma amputação do membro.  Muito cuidado é necessário para cortar as unhas. O uso de instrumentos contaminados e o traumatismo dos dedos (canto das unhas) devem ser evitados. Nos casos de unhas encravadas, é necessária a orientação médica e, às vezes, pequenas cirurgias corretivas. Calçados apertados, desconfortáves, inadequados devem ser excluídos pois podem provocar calosidades e traumatismos crônicos. Alguns necessitarão de sapatos especiais pré-moldados com suporte e orientação ortopédica.

Por fim, é de fundamental importância relembrar que Diabete Millitus é um dos principais fatores de risco que aceleram o processo de aterosclerose, provocando tromboses nas artérias das pernas. Nestes casos, além do comprometimento na microcirculação há também obstrução das grandes artérias, o que causará o déficit circulatório, com indicação de grandes cirurgias chamadas de pontes com veia safena ou derivação com próteses para irrigar novamente os membros inferiores para que os tecidos tenham condições de cicatrização.

Dentro do espírito atual de Instituto Vascular, desenvolvemos um segmento especializado no tratamento e acompanhamento dos pacientes com úlceras de pernas e pés diabéticos os quais são atendidos semanalmente por um profissional habilitado e submetidos a curativos adequados com avançados recursos. Não podemos nos esquecer dos princípios básicos: fazer medicina preventiva é a forma mais eficiente, mais segura e a de menor custo.

Dr. Ricardo J. Gaspar

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